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(…) Feito. No dia 6 de novembro, um senhor de cabelos brancos, sorriso fácil e porte altivo entrou no sebo acompanhado de duas filhas e três netos. Emocionado, recebeu das mãos de Maurício o livro perdido. Releu a dedicatória em voz alta, com pausas longas entre uma frase e outra, o que só aumentava o suspense na livraria, entrecortado pelo ruído dos netos inquietos. Depois de ser longamente aplaudido, contou aos novos colegas a história por trás daquela mensagem.

Em 1966, ele fazia mestrado em Matemática em Milão com uma bolsa do governo brasileiro. Lá, conheceu uma italianinha de nome Febea, que tinha concluído os estudos em Literatura em Londres, e acabava de retonar à Itália. Quando ela comentou que conhecia José Lins do Rego e João Cabral de Melo Neto, e que adoraria aprender português para ler Guimarães Rosa, Sylvio se apaixonou na hora: apesar de trabalhar com algoritmos, era na literatura que descansava seus teoremas. Prestes a terminar a pós-graduação, no entanto, logo voltaria ao Brasil. O amor foi construído à distância.

Nosso namoro durou um ano, 136 cartas, nove livros, dois telegramas e um telefonema contou Sylvio, para suspiro coletivo da plateia, e espanto das filhas, que não conheciam todos aqueles números. Naquele tempo, dar um telefonema era uma fortuna. Esta dedicatória escrevi no dia do meu aniversário, já doido por ela. Eu nem sei como perdi o livro, acho que foi numa mudança nos anos 80.

Um ano depois, Febea veio morar no Brasil, e Sylvio montou um apartamento no Méier para ela. Tiveram duas filhas, Isabella e Gabriella que a essa altura se debulhavam em lágrimas na livraria , e viveram felizes para sempre. Até que um câncer levou Febea aos 41 anos de idade. Sylvio nunca mais se casou.

A arte de viver é a arte de acreditar em milagres, disse o poeta italiano Cesare Pavese, e se hoje eu estou aqui é porque ele está certo. Febea foi a pessoa que eu amei mais profundamente em toda a minha vida. E ela está presente aqui, nessas cinco pessoas que fizemos, nossas duas filhas e três netos. Esse é o milagre declarou Sylvio, lembrando, ao final, uma frase que ouvira do neto quando ele tinha 4 anos, e que levava como mantra de vida: Vovô, nada é grave. (…)

No calor da carência, o pão amanhecido serve. Mas e quando a fome passar, o que lhe resta?
Se eu houvesse esperado por ele no meio do caminho, talvez estivéssemos juntos. O problema foi que, fatiado o tempo, fui até o outro lado

"Tempo Perdido - O Livro de Leah", de Laura Malin

O lado mais triste do amor é não sentir mais nada

O lado mais triste do amor é não sentir mais nada

notpyro:

believeinadream:

Talia is a thirteen-year-old aspiring makeup artists battling with two aggressive forms of cancer. Her makeup tutorials have been viewed over 14 million times on YouTube. 

O olhar do noivo 

Xalalala…

(Source: raveolution)

Como disse o Keid, "me lembrou de uma frase de Marguerite Yourcenar no livro Alexis: a maior mentira é a da calma aparente."

Antony and the Johnsons - Cut the World

Anyone else… but you.

Antes de Tudo

Era uma noite daquelas, de meio de semana, em que tudo o que se pode fazer é dar uma volta com os amigos ou ir ao cinema. Já passava das 19h, e ele estava atrasado. O filme começaria em dez minutos e ela ainda o aguardava no saguão. Em seu rosto, nem sinal de ansiedade ou resignação. Já tinha os ingressos na mão. Se ele - que não era nada seu e nada a ela devia - não chegasse, o azar era o dele; ela realmente queria assistir àquele drama. Sozinha ou acompanhada. Não se importava, ainda que tivesse se vestido como quem se importaria muito com um possível desencontro. Não… ela se importaria, sim.

Enquanto esperava, preferiu não se sentar. Não queria amassar o seu vestidinho azul escuro que fazia par com aquelas sapatilhas pretas lustrosas que ganhara de um amigo em seu último aniversário. Escorada na bancada da bomboniere, de frente para a entrada do local, contava os degraus da escada que dava em uma das salas de projeção. Recusava-se a olhar para o relógio de cinco em cinco segundos.

Esbaforido, ele surgiu do outro lado da rua. O trânsito era intenso, o semáforo era distante e ele, que olhava de um lado para o outro, parecia que nunca conseguiria atravessar. Ela o observava pela porta de vidro e achava divertido o semblante irritadiço de alguém que se sentia ilhado do lado de lá a esta altura do campeonato. Com uma gérbera na mão. E achava bonitinho e engraçado o bagunçar de seus cabelos pelo vento frio e certeiro que batia na cidade durante aquela noite.

Quando enfim entrou, veio sorrido e se desculpou - entre um beijo e outro dos ainda formais cumprimentos - pelo atraso. Era mesmo difícil achar uma vaga naquela área. Mesmo atrasado, ele insistia em comprar um saco de pipoca e refrigerantes para os dois. As opções dela ante a cena eram aceitar, sentar e aguardar, ou aceitar, acompanhá-lo à fila e aguardar. Ela ficou com a primeira. Com a agitação, ele quase esqueceu-se de entregar-lhe a flor:

—Passei por uma floricultura quase fechando, no caminho… A senhora, dona do lugar, foi simpática pra caramba. Resolvi comprar — ele disse de um modo que não desse tanta importância ou solenidade ao ocorrido.

Ela sorria educadamente.

—Enquanto eu pagava, me perguntou a que história essa flor faria parte

Ela pareceu levemente encabulada.

—Eu disse que se alguma história rolasse, eu voltava lá para contar a ela — sorriu e dirigiu-se ao balcão.

Daquele banco marrom, no centro do salão, ela o observava em seu jeans-camiseta-tênis -mãos-no-bolso milimetricamente arrumado para figurar o ar displicente que passava. Naquele momento, ela pôde ver tudo. Viu que iriam se beijar aos 47 minutos do filme - já que beijo ela negara naquela noite em que se conheceram, na festinha que rolou na casa de uma amiga, no sábado anterior. Viu que se apaixonaria perdidamente pelo sorriso daquele rapaz de poucas - mas belas - frases. Que passeariam de mãos dadas pelo seu bairro em domingos de sol e ririam um do outro por motivos que nem eles saberiam quais, mas que fariam todo sentido do mundo naquele instante. Pôde ver-se dali a pouco mais de mês deitada, nua, ao seu lado, naquela manhã abafada de sábado. Desperta, observaria seus traços sonolentos e respiraria no mesmo compasso do levantar e abaixar do peito dele.

Em poucos meses, ela podia ver: discutiriam aos berros pelos corredores do seu apartamento, chorando histéricos sem saber muito bem porquê. Mas logo, logo, enternecidos por aquela paixão toda, renderiam-se à reconciliação. Ela cozinharia um jantar rápido, de camisetão e calcinha, enquanto ele leria uma revista qualquer e prepararia o quarto para o filme que veriam juntinhos em seguida.

Sentada ali, olhando para ele a esperar por um saco de pipocas, ela via o quão feliz seria ao seu lado, ouvindo todas aquelas inconseqüentes palavras dos apaixonados, todas aquelas frases verdadeiras quase mentirosas. Viu o quanto gostaria daquilo e corresponderia à altura. Viu as cartas de amor que receberia e as poucas respostas que ensaiaria, mas que acabariam esquecidas no fundo de uma de suas gavetas, lá bem dentro.

Ela o mostraria que a vida vale a pena e que cada minuto que passa é um minuto que se perde, mas também é um minuto que se renova. Anseios para quê, então? Ele a ensinaria a ler olhares. E a entender as entrelinhas, mesmo que o roteiro de suas vidas fosse escrito em cadernos de pauta dupla.

Ele salgava a pipoca e pedia duas Sprites quando ela viu o quão ensandecido ele se tornaria no meio daquela relação. Viu também como ela não suportaria se imaginar sem ele nem imaginá-lo na companhia de outra, mesmo que num passado empoeirado de caixas de sapato no alto do armário. Tornariam-se doentiamente obsessivos pela ideia da perda que se esqueceriam dos seus atuais direitos de posse.

Naqueles últimos segundos de voyeurismo mediúnico que lhe restavam, ela viu o quão desesperado ele ficaria com a tragédia que se anunciava; eram poéticos demais, sonhadores demais. E ela se viu impotente com uma mão cheia do amor que sentiria e a outra vazia por conta da erosão dos medos.

Com as mãos ocupadas, ele se aproximava apressado, trazendo no rosto o sorriso cálido que a encantaria minutos depois. Ela se levantou, deixando a flor no banco. Beijou-o suavemente nos lábios com a intimidade de uma esposa e sussurrou em seu ouvido que precisava fazer-lhes um grande favor.

Virou as costas e fugiu segurando forte a alça da sua bolsa e pedindo a Deus que jamais se arrependesse de ter acreditado em sua própria novela das oito.


[conto de Mark Cardoso ~ 2007]

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